A marmita está de volta? ~ Forno, Fogão e Cia Consultoria Gastronômica Chiarini Culinary Consultants Brasil

06/08/2015

A marmita está de volta?

Preços altos, tudo está pela “hora da morte” e na alimentação mais ainda, a pouco tempo atrás, era
comum ver restaurantes cheios na hora do almoço em quase todos os lugares e em alguns, até fila de espera havia, mas, parece que as coisas estão mudando, alguns motivos são os principais para essa mudança de hábitos.

A alimentação fora de casa responde pelo incrível número de 35% do salário em média, isso quer dizer que uma pessoa que ganha R$ 1.000,00 gasta R$ 350,00 por mês para se alimentar, antes que digam qualquer coisa, vamos deixar claro que os números em Reais são hipotéticos.

É claro que dependendo de onde se alimenta, essa cifra será bem maior no fim do mês e vai criar um certo “peso” do qual o cliente vai querer se livrar.

Esse fato vem acontecendo com muitas pessoas a bastante tempo, não só por causa do preço que aliás, é estratosférico em alguns lugares e não valem a pena se for avaliar outros fatores como a qualidade, não que esses lugares estejam oferecendo algo fora dos padrões mas, é importante saber como o alimento é tratado até chegar a sua mesa, afinal, seguimos o mesmo caminho do ditado popular “o peixe morre pela boca” no sentido de uma alimentação inadequada.

A busca incessante por um ritmo de vida mais saudável é um potencial explorado por muita gente que vive nas grandes cidades, a correria do dia a dia dessas pessoas tem deixado cada vez menos tempo para uma boa alimentação, então, qualidade no alimento que já era importante, ganhou “peso 2” nessa equação.

A moda do orgânico é outro fator que tem feito bastante diferença na hora de escolher o que comer, e fora de casa são poucos os lugares que oferecem comida orgânica com digamos “certificado de origem”, o que dificulta ainda mais a vida de quem trabalha na alimentação fora do lar e também de quem depende dela.

Restaurantes e consumidores tem tentado na medida do possível, manter as boas relações, entretanto, tenho visto que há muitas pessoas que tem optado por uma alternativa que vem de um passado não muito distante, a marmita.

Ela já foi essencial para todos os trabalhadores e aos poucos foi substituída por refeitórios dentro das empresas com cozinhas balanceadas e pelos famosos tickets, sejam de papel ou os cartões de vale refeição.

Essas substituições foram o motor para movimentar uma indústria inteira abrangendo desde o produtor até o consumidor, muitos restaurantes surgiram apenas para suprir os horários de almoço em locais com concentração de empresas ou edifícios comerciais, outras se especializaram em fornecer e montar uma cozinha industrial dentro de empresas para alimentar os funcionários por causa da falta de restaurantes no entorno ou pelas dificuldades de locomoção, agora parece que ela está de volta, firme e forte como nunca, a marmita tem sido uma opção para 7 entre 10 trabalhadores de grupos bastante heterogêneos, e englobam desde comerciários e administrativos até alguns profissionais de altos cargos e os motivos são os mais variados, vão desde a preferência pela comida caseira até as indicações médicas por causa de restrições alimentares em detrimento de doenças, passando é claro, pelos motivos mais comuns o preço e a qualidade.

Diante disso, muitos comerciantes da área gastronômica tem feito a seguinte pergunta:

E agora o que fazer?


Concorrer com o restaurante vizinho não é fácil, mas, é mais simples porque você conhece ou pode conhecer o que ele oferece, e nas “caixinhas de comida” o que será que tem lá?

Por mais que se diga que é apenas comida caseira, a origem do alimento contido lá, conta e muito, o preço é invariavelmente muito menor e a qualidade é maior, seja porque o alimento é orgânico, seja porque foi feito com um cuidado diferenciado.


Mais do que nunca, aquela plaquinha ou aviso obrigatório dizendo: “visite nossa cozinha”, tem se tornado o grande diferencial para reconquistar os clientes, e quem aposta nisso, tem se dado bem, porque tem o que mostrar com origem e qualidade. Essa aposta que parece simples, na verdade envolve investimentos em diversos pontos, mas, principalmente em padronização e segurança alimentar, não basta fazer só uma bela faxina deixar tudo brilhando e comprar uniformes novos para o pessoal da cozinha, são necessárias uma série de intervenções profundas para atingir qualidade, e ter o que mostrar nesse ponto para o seu cliente é o “clic” para trazê-lo de volta.

Comprovar a boa origem dos alimentos é outro ponto importante, por isso, ter a mão ou a vista, alguns certificados e selos de qualidade dos fornecedores, ajudam e muito, a manter seu cliente seguro de que estará pagando um preço honesto por um alimento honesto.

O ambiente é crucial para atrair o cliente, uma cozinha bem treinada fará toda a diferença porque o cliente ao visita-la, sentirá o clima de padronização e segurança que os funcionários tem ao lidar com o alimento, mesmo que ele não entenda o que está acontecendo durante a operação, este é outro ponto legal a se explorar, ao invés de esperar pela solicitação dos clientes em querer visitar a cozinha, porque não convida-los?

Conheço alguns bons restaurantes que tem apostado nesse marketing e tem dado muito certo, uma visita monitorada pode fazer uma propaganda bem legal, ainda mais com as redes sociais, onde quase todo mundo posta, fala, comenta e colocam fotos, um chef acompanha pequenos grupos de pessoas convidadas pelo estabelecimento para conhecer os bastidores do restaurante e não fica só na cozinha, a visita pode e deve se estender a outras dependências como os estoques, as câmaras frias e áreas administrativas, para mostrar aos clientes que tudo aquilo tem um motivo, ele, o cliente.

Não será uma batalha fácil, nem tampouco simples com as marmitas, entretanto, é possível conviver com a concorrência delas sem deixar que elas façam um “estrago” no seu faturamento, para isso, você precisará estar disposto a investir tempo e dinheiro para melhorar sua operação, mostrando o valor que você dá ao seu cliente.