MITOS E VERDADES SOBRE ALIMENTOS ORGÂNICOS E INDUSTRIALIZADOS. ~ Forno, Fogão e Cia Consultoria Gastronômica Chiarini Culinary Consultants Brasil

31/03/2014

MITOS E VERDADES SOBRE ALIMENTOS ORGÂNICOS E INDUSTRIALIZADOS.

                       ORGÂNICOS                                                 INDUSTRIALIZADOS
Cada vez mais este assunto é o palco de discussões acaloradas, a indústria de alimentos tenta de todo modo, retirar a imagem de que seus produtos prejudicam a saúde, fazendo propaganda para afirmar que não usam aditivos químicos, conservantes, hormônios e outros, no seu processo de fabricação.
Já os produtores e adeptos de produtos orgânicos, dizem que a indústria só produz alimentos que prejudicam a saúde porque contém estes elementos químicos.
A guerra declarada entre ambos, leva as pessoas a criarem mitos e declararem verdades que não existem.
Então o que é alimento orgânico? Segundo os produtores e adeptos, é aquele que não utiliza nenhum tipo de aditivo químico na sua produção e que sai direto da terra para a mesa.
Podemos entender que ter um horta em casa é ter uma fonte de alimentos orgânicos.
E quanto as carnes, como determinar se são orgânicas? É simples, basta que o animal de criação não se alimente com nada que não seja natural e que seu tratamento veterinário, seja feito apenas com materiais extraídos da natureza.
Mito: Comer só produtos orgânico é mais saudável.
Verdade: Comer também produtos orgânicos é mais saudável.
A indústria de alimento afirma que faz controles rigorosos e que não utiliza aditivos químicos prejudiciais a saúde, adicionando apenas bioquímicos, mantendo o produto o mais natural o possível.
Então como ervilhas colhidas na safra passada por exemplo, ficam conservadas em latas por um período tão longo?
A indústria afirma que são utilizadas fórmulas e métodos que mantém o produto de forma natural, como uma solução de sal por exemplo, que é um conservante natural.
Mito: Comer só produtos industrializados faz mal.
Verdade: Comer também produtos industrializados não faz mal.
Não haveriam defensores de ambas as correntes, se elas não tivessem suas razões de existência, um exemplo disso, a indústria de alimentos não teria sido criada se não fosse a descoberta de que comer sal sem a adição de iodo, um tratamento bioquímico, provoca uma série de doenças que encurtam a expectativa de vida humana pela metade, isso quando esta expectativa era de apenas 50 anos em média.
Os produtores de alimentos orgânicos não teriam continuado suas plantações e criações, se não fosse descoberto que a indústria ao adicionar conservantes e acidulantes aos alimentos, estava matando o alimento, o que provoca a mesma diminuição de expectativa de vida.
É preciso equilíbrio.
A indústria de alimentos e os produtores precisam encontrar o caminho para garantir que haja produtos realmente saudáveis e que possam ser mantidos por longos períodos, sem a adição de químicos e isso é possível.
Protocolos de origem foram criados para garantir que determinados produtos sejam manufaturados e manipulados de forma orgânica, mantendo-os o mais natural o possível, um exemplo bastante conhecido vem das vinícolas que produzem seus vinhos através destes protocolos e com isto, conseguem um selo "DOC", Denominação de Origem Controlada, o que garante que aquele vinho foi feito a partir de uvas plantadas em um solo tratado, colhido no tempo certo e produzido obedecendo a uma série de controles específicos.
A indústria alimentícia vem fazendo modificações junto aos produtores e exigindo deles que produzam desta mesma forma com protocolos especiais, garantindo ao produtor que entra no programa de controle, a compra de sua produção, tornando o alimento manipulado por esta indústria, um produto de origem garantida ou controlada.
Alimentos orgânicos são produzidos sempre a partir da premissa de que não haja nenhum defensivo agrícola químico, que sua manipulação seja feita de forma natural, aumentando seu teor nutritivo e garantindo a isenção de produtos químicos.
A durabilidade de produtos industrializados é conseguida através de aditivos que na verdade são extraídos da natureza, alguns conservantes e acidulantes são naturais outros são substratos naturais, o que retira o mito de que a indústria alimentícia só utiliza químicos produzidos em laboratório e que são prejudiciais a saúde, fazendo estes alimentos chegarem ao grande público devido a possibilidade de produção em grande escala, tornando estes produtos mais baratos.
A produção de alimentos orgânica consegue uma certa durabilidade no entanto, não chegam nem a metade do tempo da indústria, fazendo com que seus produtos apesar de saudáveis, fiquem restritos a venda rápida e não cheguem ao grande público o que os torna mais caros.
Neste ponto cabe uma pergunta: "porque declarar guerra, quando juntar as experiências de produtores orgânicos e indústria, pode trazer os benefícios de ambos a população?"
Os dois lados negam mas, existe sim uma "implicância".
Produtores orgânicos dizem que a indústria quer controlar tudo e tirar a forma natural de suas plantações criando também um certo romantismo, a indústria diz que os produtores orgânicos são teimosos e não permitem colocar controles de manipulação e sanitários, porque adicionariam produtos químicos para controlar e conservar sua produção.
O mito é que existe uma guerra sem possibilidade de vencedores.
A verdade é que a população precisa de alimentos naturais colocados no mercado pela indústria alimentícia, para que se tornem baratos e sejam saudáveis.
Se produtores e indústria juntarem suas experiências, aquele frango orgânico sem hormônios, chegará a sua mesa mais fácil e mais barato do que se imagina, da mesma forma, que a bolacha ou o pão de forma, poderão ser produzidos com farinhas integrais, grãos e ervas, mais baratos e em grande escala com a mesma fórmula usada pelo produtor orgânico.
Experiências que dão certo.
Na Europa pequenos produtores orgânicos de azeitonas se juntam e vendem sua produção a uma indústria, que se compromete através de um contrato, a fazer o azeite de oliva da mesma forma como é produzido no campo, só que em escala industrial, melhorando a qualidade do produto e ainda conseguindo que sua durabilidade aumente, tornando o produto final barato e muito saudável, porque não há perdas na questão natural e sim a adequação a processos industriais que controlam e sanitizam o produto sem adicionar nenhum aditivo químico.
Cooperativas brasileiras tentam fazer a mesma coisa com poucos resultados, já que falta a interação delas com a grande indústria.
Mitos e verdades a parte, a alimentação pode e deve ser uma mescla do industrializado por questões básicas como economia, durabilidade e sanidade dos produtos e do orgânico, por seus valores nutricionais fortes, frescor e naturalidade.
O que você prefere mito ou verdade?